Escleroterapia com espuma: como funciona e para quem é indicada

A microespuma esclerosante é hoje o padrão para vasinhos e varizes de médio calibre — um procedimento ambulatorial, sem anestesia e com resultados visíveis em semanas. Veja o que esperar.

A escleroterapia é uma das intervenções mais antigas e mais bem estudadas em flebologia — e não foi por acaso. Ela oferece o equilíbrio ideal entre eficácia, segurança e conveniência para o tratamento de vasinhos (telangiectasias), veias reticulares e varizes de pequeno a médio calibre.

A versão com microespuma, padronizada no final dos anos 1990, ampliou as indicações e melhorou os resultados ao aumentar o contato do agente com a parede venosa.

Como funciona o mecanismo

A escleroterapia usa uma substância química — o esclerosante — que, ao ser injetada na veia, causa uma reação inflamatória controlada no endotélio (a camada interna do vaso). Essa inflamação leva à fibrose e ao fechamento definitivo da veia. O organismo reabsorve gradualmente o tecido fibrosado ao longo de semanas a meses.

Na forma líquida, o esclerosante dilui rapidamente no sangue e perde eficácia. Quando transformado em espuma por uma técnica específica (método de Tessari, com proporção 1:4 de líquido e gás), ele ocupa o lúmen venoso de forma muito mais eficiente, com contato prolongado com a parede.

Quais veias são tratadas

Tipo de veiaCalibreTécnica preferida
Telangiectasias (vasinhos)< 1 mmEscleroterapia líquida ou laser transdérmico
Veias reticulares1–3 mmEscleroterapia líquida ou espuma
Varizes tributárias3–6 mmEscleroterapia com espuma
Varizes safenas> 6 mmEVLA, radiofrequência ou cirurgia (espuma guiada por US em casos selecionados)
Varizes pélvicas / recidivadasVariávelEspuma guiada por ultrassom (UGFS)

Como é a sessão

O procedimento é ambulatorial e não exige anestesia. Em uma sessão típica:

A sessão dura em média 30–45 minutos. Dependendo da extensão das varizes, são necessárias 2–4 sessões com intervalo de 3–6 semanas.

Recuperação

Caminhada normal já no mesmo dia. As principais restrições são: evitar academia ou esforço intenso por 48–72h, usar meia elástica por 1–2 semanas, evitar sol direto nas áreas tratadas (risco de hiperpigmentação) e não fazer sauna ou banho quente nos primeiros dias.

Quando o ultrassom muda tudo

Em varizes de maior calibre ou com pontos de refluxo profundos, a escleroterapia guiada por ultrassom (UGFS — ultrasound-guided foam sclerotherapy) torna-se indispensável. Com o doppler, o médico visualiza em tempo real a posição da agulha, a distribuição da espuma e o fechamento venoso — o que aumenta a taxa de sucesso e a segurança do procedimento.

A UGFS é especialmente útil em varizes recidivadas após cirurgia, veias perfurantes incompetentes e varizes pélvicas de origem ginecológica que alimentam as varizes das pernas.

Resultado e o que esperar

As veias tratadas não desaparecem imediatamente. O processo de fibrose leva semanas, e podem aparecer manchas escuras transitórias (hiperpigmentação pós-inflamatória) nas primeiras semanas. Em pele mais escura, esse efeito é mais pronunciado — o que influencia a escolha entre escleroterapia e laser transdérmico.

Com protocolo correto, 80–90% dos vasinhos e varizes tratados somem de forma satisfatória após 2–3 sessões. O resultado final é avaliado com 3–6 meses de seguimento.

Evidência técnica

A eficácia da escleroterapia com espuma para varizes tronculares foi avaliada em metanálises comparando UGFS vs. EVLA vs. cirurgia. Para varizes tributárias e reticulares, a escleroterapia com espuma tem taxas de oclusão de 80–95% em 1 ano. Para veias safenas, a EVLA apresenta superioridade com 90–95% de oclusão em 5 anos. A combinação de técnicas — laser endovenoso para a safena + espuma para tributárias — é hoje considerada o padrão ouro em centros especializados.

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